- Flávio Lopes da Silva
- sou de Barcelos, componho cantigas para o vento. leio livros para matar a fome. o tempo anda em divida para comigo. sou uma mistura de todas as cores. a minha voz é um ponto de silêncio. uso roupas velhas que cheiram a alecrim. enfim, um dia hei-de saber quem sou.
Mov. Às-Artes
Olha-me sem me veres… | 27Jul2010
Olha-me sem me veres…
Olho-te sem pudor de tão impúdica que sou
viver é um evento obscuro de uma beleza tão rara
que afaga a própria existência do que não existe
olha-me sem temeres o que já não temes.
(Inventa-me de novo no teu esplendor)
Não me olhes ao espelho onde a minha imagem
já não projecta reflexos
nem me guardes como uma bíblia sem salmos
quero-me assim límpida para te profanar
na imortalidade dos mortais.
Procura-me nas forças do mundo intangível
onde nos encontramos intactos
de qualquer frugalidade imediata
leva-me mas olha-me sem me veres.
Flavio
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