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| nós vezes nós |

A poesia faz-se na cama como o amor
Os seus lençóis desfeitos são a aurora das coisas
A poesia faz-se nos bosques.

 
 
 

                                                                                                                                                                                                                        André Breton, 1948

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Palmilhou todos os Invernos
mas não tocou em folha alguma,
nem pressentiu o vento trespassar-lhe.

Aprendeu a tocar todos os instrumentos da solidão
e tudo soava a deserto queimado,
e comprometeu-se no ângulo da espera fria,
soO conforto das urtigas no casulo polar era o ter,
a cantina do medo,
o recipiente das memórias,
o lixo, o outro lado da luz descontraída,
o Finisterra de todas as coisas e falhos.

Esse homem é o seu outro no epicentro do tesão laminado
que esfrega o Inverno
para lhe saber a trechos de Outono,
já que primavera não nasce,
é só ideia parada, é só para cumprir.


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fosse o que fosse





Fosse pedra ou metal
gruta ou caravela
que ambientassem meu beco
exigente
ao vácuo dorido
de luas importunadas


Fosse gato ou armadilha
relógio ou estridência
que cele
e conter a lágrima
que violenta o sonho público


Fosse eu capaz de ser capaz
de me abotoar ao teu círio
e arder contigo todas as alvoradas
que em palha seca se consome
e deixa lugar vago para apodrecermos.


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Se um dia pensares em mim,
pensa num avião,
sem combustível,
com asas afligidas
mas expectante em sepultar
o último beijo vertical.


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tocam os clarins do corpo


Tocam os clarins do corpo.
âncoras desprendidas acompanham-nos

há uma voz repetida
no atendedor de chamadas

é a metade do meu eu
a querer-te por inteira

por tal rústica doença
pelos ranhos desesperados

desintegra. inventa raridades
outras índias. outros mártires

som
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flores militantes



Poupa a lama dos meus cabelos
e constrói um ninho para apetecer-mo-nos.
É lá que nos engrandecemos,
tomámos conta do lume e confrontamos equações
escutando os remembers,
ao desgastar os corpos.

Diz adeus à cidade e parte para a minha aldeia,
pastoreia comigo as manadas de estrelas tonificadas,
crava o riso na minha garganta,
implanta-o nas cordas dela e deixa sentir o surdo bombo aumentar.

Estou aqui para te prender, governar,
porque amar é obre quartzos de veludo,
nascem flores influentes e militantes.