Menu

Blog







amor com um lustro de saliva
26Out2008 22:00:57
Escrito por: Flávio Silver

Houvesse uma grávida que parisse um mundo novo e inteiro

Ou um anão que cuspisse uma bola de fogo

E dela saísse Homens do mesmo tamanho

Se possível com uma flor no cabelo

O amor com um lustro de saliva

Uma transparência igual à do rio Homem

Que é perpendicular ao meu corpo mal refinado

E um apostador que ao ler um poema dissesse: chega!

Acabavam-se os heróis e os candeeiros avariados

E os dias ganhariam tantas raízes comuns

Tantas luzes de aniquilar Gigantes

Que ao amor era-lhe impossível não dar frutos

Não dar homens rectos e tochamente iluminados

Em vez de cabeças espetas na ponta de um ceptro

Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (37)


por este rio acima
17Out2008 18:37:26
Escrito por: Flávio Silver

teste


Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (45)

ó meu Portugal dos pequeninhos!
17Out2008 12:16:53
Escrito por: Flávio Silver

Tenho sete mil razões para duvidar de ti ó Portugal de meia dúzia de grandes.

As tuas praias, as tuas póvoas, já não têm cota no mercado. Foste vendida aos ingleses, deixaste entrar os fregueses de olhos em bico. Vais comprar lá fora e vendes cá dentro ao preço do traficante.

A tua gente quase não sente a brisa que era dantes. O cavaquinho e a braguesa não soam pelas ruas, a peixeira tirou um curso mas não lhe valeu de nada. O operário leva para casa o zumbido das máquinas e é com a batida ensurdecedora que compõe o pé direito do sonho.

Portugal, eu venho aqui falar das cidades abandonadas, dos castelos comidos pelo tempo, a tua poesia já não é cantiga de amigo nem embala o menino que um dia dormiu nas palhas. Cuida do teu povo, da tua gente que te fez valente há quinhentos anos atrás, dá-lhes o teu melhor, o fado e as tasquinhas, a liberdade de ser, a conjugação plena do verbo existir, a valentia das tuas caravelas.

Tenho sete mil razões para estar de mal contigo, sete mil palmos de chão que cairam nas mãos dos bancários e dos empreiteiros, e tu não dizes nada?! Ficas aí na varanda do silêncio a fumar o teu cigarro, a dar palha ao abismo.

Que vai ser das tuas crianças que nasceram ontem numa barraca de hospital?, numa estrada esburacada, entre uma aldeia e uma cidade, com um carimbo no peito a dizer: deixa lá não penses nisso!

Olha como o peixe vem triste para a mesa!, vê a felicidade com rituais macabros, olha o polícia todo contente em passar multas à gente. O teu vestido já toca o chão, encolheste, é preciso nascer ouriço para te compreender. Foste dono do mundo, compraste pimenta e sal, pariste Camões e Vasco da Gama, descobriste mares sem ponta de medo, olha para ti e vê como mudaste, a tua figura assemelha-se à tristeza de um sino quando dá inicio à procissão.

Que é feito do teu malhão que nos convidava para a festa? Que é feito da tua coragem de ir e vencer? Ó Portugal das vitórias e dos hinos das multidões!, a tua sopa aziomou e o melhor de ti ofereces ao idiota?! O teu futuro, o nosso riso, está nas mãos do leiloeiro, queres que te conte mais? O teu ofício é semear diferenças, a tua energia é um número extenso no papel, a tua carne é como o futuro: é para quem dá mais.

Encerras escolas e inauguras centros comerciais, lês o que as estrelas têm para dizer mas não escutas ninguém. Que será de nós quando crescermos? Quando tudo for pelos ares e não restar uma biblioteca para defender a tua história? Tenho sete mil razões para te pôr contra o vento, sete toneladas de corações para fazer a empreitada de uma nova vida, sete caminhos que vão dar a um, sete ideologias que terminam em Bem.

O teu sistema imunitário falhou, já não provocas riso, os teus rios levam mágoas, as tuas aldeias: só nos postais; as ribeirinhas quem deram que fossem outra vez, o teu perfume de maresia nem com frasco de remédio é de novo.

Agora sonhas é com craques da bola, ó isso sim, com estilistas que te baixam as calças, com cantores que levam a literatura ao suicídio. Nem com chuva de nove meses isto irá mudar se acaso não visitares todos os lares, se não converteres cimento em alegria, se não casares todas as tuas filhas com os filhos do sol.

Para mim és peça de barro numa estante que se Terra abana mais um pouco cais ao chão, e se calhas de mostrar o rabo... O teu sabor amargo reconheço em Espanha ou em Istambul, o fato solene não convence ninguém, ó meu Portugal dos noventa e tais por cento pequeninhos!

Ler mais | Comentários (1) | Visualizações (63)


ó farda para que te quero!
07Out2008 20:19:25
Escrito por: Flávio Silver

Finalmente e, após várias infiltrações em debates de out-doors, em desfiles por estas ruas direitas, mesmo antes do surgimento da pirataria, do comando à distância, do shampoo dois em um, chego à conclusão que, são os homens que botam farda por cima dos seus corpos que mais sucesso têm com as mulheres. Admire-se!

Soube nesses entretantos que a farda tem um poder persuasor, provocante, excitante, uma chaves de judoca que agarra qualquer mulher e bota-a no tapete para seu uso.

O bombeiro Quintas já me tinha secretado que, desde que a farda começou a fazer parte da sua vida - que só a tira para o exame da rectoscopia - o número de piscadelas e piropos femininos (masculinos poucos) não param de aumentar, de fazer furor e a mover sensibilidades, ao ponto da do segundo direito ter enlouquecido por um dia ter tocado nela.

Logo que sai de casa pela manhãzinha, as senhoras que estão debatendo o progresso na padaria vêm à porta depositar suas babas e seus uis.

O padre da paróquia ao topar que assim é, olha com desdém a sua batina. O farmacêutico, sem ninguém saber, mandou vir uma de Espanha no intuito de obter mais sucesso nos esquemas à media luz.

A farda do polícia é das que mais causa distúrbios nos corações da moçada. Em plena rua algumas viram autênticas galinhas mitológicas penicando na sua própria pele perguntando: “por que é que eu não tenho um destes lá em casa?!”. De facto, aquele aspecto lavado (exteriormente) com um toque de Lili Caneças, um de ar de fadista que precisa de dois bagaços para afinar, é uma bomba para a fidelidade. É que aquilo atrai mesmo! Inclusive borboletas e moscas que estacionam nas beiras das estradas.

Como dizia eu, verifiquei esta tendência das mulheres perderem suas resistências perante um fardamento, quando uma moçoila de Vilar de Perdizes fugiu com o ciclista que vinha em último lugar na Volta a Portugal, fazendo este um desvio na rota, com a sua Sallete atrás, rumo a Espanha para a núpcia nupciante.

Os porteiros modernos, que agora se vestem tal o noivo no dia do casamento, usufruem das vantagens de terem sobre os seus mantos de cicatrizes uma farda que, pode não dar respeito nenhum, mas que passou a ser um foco de miragem sobre as raparigas, isso sim, nomeadamente as que moram nos cimos dos montes e usam bigode de fazer rebelia no encontro nacional de bigodagens.

Mas afinal o que é que tem de interessante uma farda para além de poupar a esposa em lavagens? Como disse, a minha experiência no campo da observação escancarada, a somar vectores, rios com mares, a conclusão que tiro é: toda e qualquer farda provoca excitação, a sua perfeita combinação de cores trata de cegar os corações das mulheres; que ficam tão loucas como se um cantor de música sartaneja lhes cantasse bem perto dos seus ouvidos.

Mas nem tudo é fado. O senhor Ramiro, após dezasseis anos a envergar a farda noite e dia, um dia cansou-se dela e, como consequência directa resultou-lhe o divórcio. Uma vez sem farda já não era o mesmo quiduxo que ela, a sua “esponja”, um dia conheceu, e recorda aquele Domingo ao pé do fontanário, com voz trémula:

- Assim que vi aquela farda azul no meio de vinte homens fiquei logo outra. Não era bem os seus olhos nem a sua Vespa. Foi a farda que ele trazia vestido! e que agora, esse excomungado, se lembrou de a deitar fora!

Depois disto, um choro tão intenso como na altura de dizer Sim na igreja, causando uma mancha no fardamento do noivo. Mas que a alegria havia de reparar todas as manchas.

A farda funciona como um íman, só que, o inconveniente desta funcionalidade, é que ela não consegue separar os sexos, então, atrai toda a gama de gente. O que se está mesmo a ver a trabalheira que dá em ter de se esquivar de alguns maganos que usam lencinho de fora no bolso da jaqueta!

Ter farda ou não ter eis a questão! Em segundo lugar no que toca a destroçar corações, vem o fato-macaco que, apesar do seu aspecto brejeiro e naftalinoso, possui características aromáticas que atrai qualquer fêmea desprevenida ou mal casada. O seu aspecto de quem sofre de incompreensão torna-se numa máquina de inventar elogios, vai daí que, a aproximação a estes portadores de fato-macaco seja vista com desdém, nomeadamente pelos maridos daquelas mulheres que saem à rua com o olho à belenenses.

O fato-macaco pode não ter um corte à Valentino, pode não ter dupla costura, forrado a penas ou a brancura da fronha do Mickael Jackson, mas numa coisa ele fica a ganhar: é que são dois animais a pensar: o homem e o macaco. Enfim, uma autêntica armadilha para as solteironas que sonham casar antes que sejam aclamadas de tias.

A farda militar surge logo atrás, com o seu aspecto multifuncional, onde os bolsos mal costurados permite-lhes coçar a virilha sem perder a letra do hino.

Se um destes dias me virem na Vandoma à procura de uma farda que me sirva, digam a quem não leu esta crónica que eu agora ando fardado porque vou combater, assim, evito problemas lá em casa, caso contrário, ó fardas para que te quero!

Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (49)

concurso de fotografia 2008
07Out2008 18:08:30
Escrito por:

No dia 8 de Novembro, estará patente na Biblioteca Municipal de Barcelos a 1ª exposição fotográfica dos trabalhos a concurso sobre o tema "As Cruzes".

Neste dia será também dia da entrega dos prémios aos respectivos vencedores.

Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (34)

concurso de fotografia 2008
07Out2008 17:43:19
Escrito por:

No dia 8 de Novembro, estará patente na Biblioteca Municipal de Barcelos a 1ª exposição fotográfica dos trabalhos a concurso sobre o tema "As Cruzes".

Neste dia será também dia da entrega dos prémios aos respectivos vencedores.
Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (30)


5 de Dezembro - meu 4º livro
15Ago2008 14:33:27
Escrito por: Flávio Silver

pois é malta, a Edium Editores decidiu apostar num trabalho de textos poéticos chamado "Sou um louco que sabe tocar acordeão" , mas, quanto a mim, loucos são eles em apostar num louco como eu.

está marcada a apresentação para o dia 5de Dezembro de 2008, na Bibioteca Municipal de Barcelos (não se preocupem que eu vou mandar os ratos dar uma volta nesse dia) pelas 21:30.

para apresentação ainda não sei quem seja, mas, presumo que seja alguém humano e que vive aqui na terra pelo menos há vinte anos

para a leitura dos textos teremos o excelentíssimo senhor Fernando Soares, e a dona dra. Fátima Marques.

apareçam, vai ser aquilo que vai ser: uma festa sem consumo obrigatório, a não ser que optem por comprar o livro. o que agradeço.

então até lá. vou dando notícias.

Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (98)



8 a 14 de 51 Primeiro | Anterior | Seguinte | Último |